Qual é a diferença entre o mérito estrito, mérito condigno e mérito côngruo no catolicismo romano?

Por Matt Slick- Tradução David Brito

O Catolicismo Romano definiu vários aspectos de mérito. Mérito é o "estabelecimento de um bom trabalho que dá direito ao praticante receber uma recompensa." No sistema Católico de recompensas para trabalhos realizados, recompensas contribuem para a salvação de uma pessoa. Três categorias principais de mérito foram definidas abaixo.

  • Mérito Estrito seria uma recompensa a uma pessoa por uma ação que ele executou. A recompensa está direta e necessariamente relacionada a essa pessoa por causa do trabalho que ele realizou. Um exemplo seria um salário específico que é devido a uma pessoa por uma quantidade específica de trabalho Seria um erro reter esta recompensa
  • Mérito Condigno é a recompensa de Deus para um trabalho realizado por uma pessoa que faz a sua vontade. Deus para recompensar a pessoa para o trabalho que é realizado com a ajuda do Espírito Santo. Esta recompensa é devida porque Deus associou-se ao homem para recompensar aqueles que fazem a Sua vontade, não que eles merecem ou a ganharam em um sentido estrito. Em vez disso, Deus prometeu recompensar certas ações, e quando essas ações são executadas, a recompensa é exigida da parte de Deus. Portanto, a pessoa deve receber a recompensa, e seria um erro reter esta recompensa.
  • Mérito Congruente depende da bondade e desejo de quem dá o mérito. É uma recompensa que não é merecida, e não devida. Um exemplo seria se minha filha limpou a sala de estar e como recompensa a levei para tomar um sorvete. O sorvete não é devido a ela, mas ela "mereceu" a recompensa por seu esforço. Se eu não levá-la para tomar sorvete, eu não fiz nada de errado.

Para uma melhor compreensão, veja o quadro abaixo.

Tipo de Mérito

Definição

Exemplo

A recompensa é devida a esta pessoa?

Devida/
conquistada

Se a recompensa não for dada será justo ou não?

Mérito Estrito

Recompensa devido a um acordo ou recompensa necessária devido a um trabalho.

Trabalhando por um salário em uma taxa horária você recebe uma recompensa exata, um cheque de pagamento.

Sim

É Obrigatória

A Recompensa é ganha e, portanto Devida.

Não será justo

Mérito Condigno

Recompensa de uma ação por causa da promessa de Deus em recompensar bons trabalhos realizados por uma pessoa que está na graça de Deus, e está realizando a vontade de Deus. 

Honrar seus pais. Por isso você tem a recompensa de uma bênção de Deus porque Deus disse que você seria abençoado por honrar seus pais. Portanto, Deus deve dar a recompensa.

Sim é Obrigatória

Recompensa não necessariamente ganha, mas é devida

Não será justo

Mérito Congruente

Recompensa para uma ação baseada na bondade e desejo de quem dá o mérito. É uma recompensa que não é devida. Baseia-se na bondade de quem dá a recompensa.

Apesar de não ser requerido você limpa a casa de seus pais, e eles te recompensam com um sorvete

Não obrigatório

A Recompensa não é ganha e nem devida

 Justa

 

 

No catolicismo romano, a salvação é alcançada através da participação nos sacramentos onde a graça é infundida a pessoa. Esta graça infundida faz a pessoa "mais" justa diante de Deus, porque é a quantidade de graça em uma pessoa que resulta em sua justiça diante de Deus. Portanto, a fim de permanecer em um estado de graça, os católicos são ensinados a realizar obras que contribuem para a salvação. No entanto, as obras não pertencem ao mérito estrito, mas sim um mérito de condigno onde Deus concede a salvação / graça / e justiça fora da bondade do seu coração que se manifesta através das obras fiéis da crença católica romana.

O problema é que isso levou a teologia católica romana ao ensino de que a salvação é atingida e mantida pela obediência aos mandamentos, que são obras.

  • "O Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano II, explicita: "Pois somente por meio da Igreja católica de Cristo, 'a qual é meio geral de salvação', pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos que o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança somente ao Colégio Apostólico, do qual Pedro é o chefe, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de que alguma forma, já pertencem ao Povo de Deus". (Parágrafo relacionado 830)," (Catecismo da Igreja Católica  816).
  • "O Concílio de Trento ensina que os Dez Mandamentos são obrigatórias para os cristãos e que o homem justificado ainda está obrigado a mantê-los; Paragrafo 28 do Concílio Vaticano II confirma:... "Os bispos, sucessores dos apóstolos, recebem do Senhor a missão de ensinar a todos os povos, e de pregar o Evangelho a toda a criatura, de modo que todos os homens podem alcançar a salvação através da fé, o Batismo e a observância dos mandamentos," (CIC, par 2068).
  • "A autoridade do magistério se estende também aos preceitos específicos da lei natural, porque sua observância, exigida pelo Criador, é necessária para a salvação. Ao recordar as prescrições da lei natural, o Magistério da Igreja exerce uma parte essencial de sua função profética de anunciar aos homens o que eles realmente são e lembrando-lhes o que devem ser diante de Deus," (CIC 2036).
  • O Decálogo contém uma expressão privilegiada da lei natural. “É feito conhecido a nós por revelação divina e pela razão humana,” (CIC 2080).

Conclusão

A diferenciação entre o Mérito estrito, Condigno, e Congruente na teologia católica romana não aliviam o problema de sua busca para alcançar a salvação através da observância dos mandamentos, que é a posição católica romana como se verifica nas citações acima. Em contraste com isso, as Escrituras ensinam claramente que a justificação é somente pela fé e não por quaisquer obras.

Romanos 3:28, "concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei."

Romanos 4:1-5  Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. 

 

 
 

About The Author

Matt Slick is the President and Founder of the Christian Apologetics and Research Ministry.